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A importância da diversidade nas passarelas do SPFWN44

A 44ª edição do São Paulo Fashion Week a inclusão nas passarelas é a pauta principal

Nas últimas temporadas das semanas de moda que se distribuem internacionalmente, os desfiles têm mostrado muito mais do que novas modelagens e estilos, e o foco dentro das passarelas começa a ser as pessoas que as vestem. A inclusão de belezas que desviam do padrão conhecido e estabelecido por muitos anos no universo fashion é uma realidade dos dias de hoje que, ao que tudo indica, tende a continuar em crescimento. A unanimidade de modelos com corpos magros e altos, de pele branca e cabelo liso passam, gradativamente, a dividir o palco com pessoas que representam diversas etnias, tamanhos e gêneros. 

A diversidade foi o principal destaque das fashion weeks de Milão e Nova York no início do ano. Aqui no Brasil, a busca pela representatividade na apresentação das novas coleções tem ganhado cada vez mais importância. Foi o que pudemos observar durante o maior evento de moda do país, o São Paulo Fashion Week, que encerrou na última semana, dia 31. Acompanhe: 


Desfile #TodaBelezaPodeSer - Natura + Cem Freio

Na edição que recebe o título de “Amo Moda, Amo Brasil” Paulo Borges, idealizador do evento, defende o resgate pela essência de um país que revela uma diversidade única, a qual deve ser muito valorizada mesmo em um período contaminado por um quadro polarizado em torno da negatividade. Esse tema é reforçado pelas atividades presentes na programação do SPFWN44 que celebram o multiculturalismo, a exemplo das exposições “Made in Brasil” e “Meu Mundo Resiste Aqui” e das iniciativas promovidas pela Natura, como o projeto #TodaBelezaPodeSer


Exposição Made in Brasil

Ao decorrer dos cinco dias de evento, a inclusão foi pauta inúmeras vezes, recebendo ainda mais destaque ao protagonizar as passarelas de marcas renomadas como Ronaldo Fraga, LAB e Glória Coelho. 

O primeiro, conhecido por seus discursos politizados e sempre atuais, levantou nas últimas duas coleções questões como transfobia e xenofobia, trazendo para os palcos modelos transexuais e refugiados, respectivamente. Dessa vez, Ronaldo escolheu um casting variado em gênero, idade, tamanho e etnia e ainda abriu espaço para portadores de deficiências físicas que desfilaram modelos vintage de moda praia.

A LAB, dos irmãos Emicida e Fióti, estrela pela terceira vez seguida na semana de moda do Brasil, e atualmente é consagrada como a marca de streetstyle que mais representa a ideia de estilos democráticos. Com modelos majoritariamente negros, a passarela evidencia, segundo Emicida, "a vontade de aproximar um Brasil que até então parecia muito distante dos ambientes de moda”. A dupla ainda convidou, como de costume, seus amigos da cena musical do rap nacional para usar suas criações , entre eles estavam MC Carol, Rael e Black Alien.

Gloria Coelho também fez suas apostas em um casting capaz de realizar uma identificação entre o público e as modelos. A estilista convidou mulheres anônimas e celebridades a fim de representar as “mulheres reais” do nosso país, valorizando diversas belezas independente de idade e biotipo.

Lino Villaventura, UMA e Paula Raia foram outros nomes importantes nesse cenário, uma vez que trouxeram modelos idosos e albino, nessa ordem, para vestir suas peças.


Lino Villaventura | UMA | Paula Raia

Uma questão que merece ser pontuada é a mistura entre estéticas que permeiam entre gêneros diferentes. Ao contrário do que conhecemos há muitos anos, vestidos passam a ser unissex e homens exibem calçados de salto alto, além disso, tecidos delicados como rendas e tules compõem itens masculinos.


Samuel Cirnansck | João Pimenta | TOP 5 | João Pimenta

Um dos principais diferenciais da 44ª edição da SPFW foi a participação das estilistas Jahnkoy e Vanessa Moe. Ambas dão visibilidade para a diversidade étnica ao trazerem referências nas lutas pela preservação das culturas do povo africano e aborígene, respectivamente. 


Jahnkoy | Vanessa Moe

Por fim, algo muito relevante que aconteceu nessa temporada foram as atitudes tomadas tanto por Ronaldo Fraga quanto pela Natura e pela Jahnkoy. Todos eles traduzem uma inquietação que permeia os eventos de moda: o acesso. Os desfiles dessas marcas puderam ser assistidos por todos os visitantes da Fundação Bienal, sem a necessidade de possuir um convite, afinal, a moda deve ser para todos. 

Imagens: UseFashion e Agência Fotosite.

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