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Moda ética: Como as marcas estão abraçando diferentes causas

Confira os movimentos aos quais grandes marcas estão se adequando

Publicado em 30/10/2017, por Redação

Não é de hoje que temas como sustentabilidade e preservação do meio ambiente estão em pauta. Cada vez mais as marcas têm buscado alternativas para produzir suas coleções com o mínimo impacto no ecossistema. Entretanto, nos últimos tempos, o crescimento das uniões e manifestações sociais que apoiam causa diversas vêm mostrando ao mundo da moda que precisamos ser muito mais do que eco friendly: é necessário produzir de forma ética!

Acompanhe a seguir a forma que as marcas estão encontrando para oferecer uma moda ética aos seus consumidores:


Stella McCartney - Fur Free Fur

A ética é um conjunto de valores que têm como objetivo orientar a conduta de cada pessoa que faz parte de uma sociedade, garantindo assim um equilíbrio dentro do meio em que vivemos. Elas são parecidas com as leis, e servem para nos lembrar de sempre agir de forma que ninguém saia prejudicado (nem mesmo aqueles que possuem menos força).

Nesse contexto, encontramos as ONG's de proteção aos animais que criaram associações como a Peta (Pessoas pelo tratamento ético dos animais) e  Fur Free Alliance, que luta contra o uso de peles nos produtos de moda. O trabalho dessas organizações consiste em defender os direitos de seres que fazem parte da sociedade, mas que não possuem voz para que façam isso por si.

Durante muitos anos, a questão de proteção aos animais esteve ligada ao mercado de beleza, que costumava praticar os testes de seus produtos em animais. Atualmente, o efeito das ações de organizações que defendem essa causa já pode ser percebido de forma significativa no segmento. O selo Cruelty Free (livre de crueldade) nas embalagens de maquiagens e produtos de higiene tem sido cada vez mais valorizado pelos consumidores. Um exemplo de sucesso é a linha beauty da maquiadora e tatuadora Kat Von D.


Kat na Conferência Nacional de Direitos dos Animais | Paleta de sombras holográficas | Pincéis veganos | Site oficial da marca

Na moda, temos Stella McCartney como uma das principais embaixadoras dessa causa: tendo abolido o uso de materiais de origem animal desde 2001, em suas coleções atuais, a designer traz as linhas Fur Free Fur e Skin Free Skin, que contém alternativas para a confecção de peças que trazem a estética da pele e do couro, mas que são cruelty free. Recentemente, a filha de Paul McCartney ainda anunciou os resultados da sua parceria com a start-up Bolt Threads, que resultou na criação de uma versão sintética da seda de aranha. Além disso, Stella traz para sua marca os princípios da sustentabilidade, mantendo a preocupação com o meio ambiente em todos seus processos.


Stella McCartney

A força dos movimentos contra o uso de peles animais na moda é tão significativa que, em setembro desse ano, a Semana de Moda de Londres teve de aconselhar aos seus visitantes para não vestir nenhum tipo do material, real ou fake, para comparecer ao evento. No comunicado, a organização dizia que essa seria uma medida protetiva em relação às manifestações fur free que ocorreriam nesse período.

Como resposta a todo esse movimento, também é possível perceber que grifes tradicionais, que têm o luxo em seu DNA, também estão tornando fur free. Em março de 2016 a Armani anunciou que, a partir de suas próximas coleções, não trabalharia mais as peles animais. Já no início desse mês de outubro, a Gucci também revelou estar se unindo à Fur Free Alliance e erradicando qualquer tipo de pele de seus produtos a partir do seu inverno 2019, que será desfilado no início do próximo ano. Hugo Boss, Tommy Hilfiger e Calvin Klein são outros exemplos de grandes marcas internacionais que declararam não usar tais materiais.


Campanha Gucci - Verão 2004/2005 | Casaco de pele de raposa

Outra questão que envolve a ética e tem chamado bastante atenção ultimamente é a apropriação cultural, que acontece quando elementos específicos de uma cultura é adotada por pessoas que pertencem a um grupo diferente.

No mundo da moda, ela está recorrentemente atrelada a casos de marcas que fazem referência a culturas das quais elas não pertencem, sem dar os devidos créditos. Um exemplo de polêmica nesse quesito é a marca Tory Burch, que apresentou sua coleção de resort 2018 inspirada em Jacqueline Kennedy e a Princesa Elizabeth de Toro, fazendo referência a amizade das duas e às origens africanas da princesa. Entretanto, as peças deixam claro que, na verdade, os detalhes e silhuetas usados fazem referência à cultura folk romena.

Em seu perfil no Instagram, a comunidade La Blouse Romaine denunciou o ocorrido, comparando um casaco romano que está atualmente exposto no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e a peça lançada por Tory Burch.

Dear @toryburch , Your Resort 2018 collection is inspired by the Romanian traditional clothing. One of your coats is almost identical with a Romanian Coat from The Metropolitan Museum of Art, New York. @metmuseum http://www.metmuseum.org/art/collection/search/126983 We kindly ask you to give the right credit for your inspiration. @toryburchfoundation , please come in Romania and support local artisans and women entrepreneurs. #embraceambition Thank you, @lablouseroumaine community • #sharingiscaring #WearYourCulture #June24th #IAday #CulturalFashionDay #Romania #metmuseum #culturalmisappropriation #culture #heritage #givecredit #ethicalfashion #ethicaldesign #lablouseroumaine #traditionalcostume #resort2018 #vogue #toryburch #oltenia #romania #brancusi #artisans #fashion #design

Uma publicação compartilhada por La Blouse Roumaine (@lablouseroumaine) em

Em contraponto, podemos perceber que, após os diversos escândalos, as marcas estão tendo um maior cuidado ao se inspirar em culturas diferentes. Nesse caso, a apropriação pode ser revertida em visibilidade para grupos sociais pouco reconhecidos.

Na edição de inverno 2016 do SPFW, a estilista Fernanda Yamamoto mostrou uma forma bastante interessante de trazer valorização para culturas pouco exploradas. Nessa coleção, a estilista se inspirou nas rendas feitas por comunidades da região do Cariri, na Paraíba. Todas as peças foram produzidas à mão, em parceria com as rendeiras locais, que receberam todos os créditos merecidos.


Fernanda Yamamoto - Inverno 2016

Tais acontecimentos mostram como, a cada dia mais, o universo da moda precisa olhar para os impactos causados sobre a sociedade, e buscar formas de minimizá-los. Pequenas atitudes, como as vistas na matéria acima, podem abrir o olhar do mercado e revolucionar a forma como produzimos e consumimos.

Imagens: Divulgação.

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